Diretriz Técnica ANAMT
DT05 — Uso de cinta lombar, suporte ou órtese lombar na prevenção da lombalgia ocupacional
Diretriz Técnica da ANAMT sobre cinta lombar e prevenção primária da lombalgia
Diretriz Técnica da ANAMT que avalia se o uso de cinta lombar, suporte ou órtese lombar previne a lombalgia ou lesões lombares em trabalhadores sem sintomas atuais.
Em resumo
- O que é
- Diretriz Técnica da ANAMT sobre o uso de cinta lombar, suporte ou órtese lombar no ambiente de trabalho.
- Principal objetivo
- Responder se “o uso de cinta lombar, suporte ou órtese lombar previne (primariamente) a lombalgia ou lesões lombares em trabalhadores sem sintomatologia atual”.
- Prazo
- Elaboração: 15 de outubro de 2018.
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Contexto
O documento afirma que “lombalgia é um problema internacional importante de saúde pública”, com prevalência global de lombalgia crônica estimada em 4,2% em indivíduos de 24 a 39 anos e 19,6% em indivíduos de 20 a 59 anos. Registra também que a dorsalgia (CID M54) “constituiu 6,15% das doenças do trabalho ocupando a terceira posição em prevalência”.
Sobre exposição, cita que “para cada 10kg levantados houve uma associação de risco de OR 1,11 (IC 95% 1,05 a 1,18) e para cada 10 levantamentos por dia uma associação de risco de 1,09 (IC 95% 1,03 a 1,15)”, e que fatores individuais como obesidade, tabagismo e depressão estão positivamente associados à lombalgia em revisões sistemáticas.
Segundo a Diretriz, “o uso de cinta lombar no meio ocupacional emerge da expectativa de inúmeros benefícios biomecânicos que em conjunto promoveriam a prevenção de lombalgia”.
Pergunta da Diretriz
A dúvida clínica formulada foi: “O uso de cinta lombar, suporte ou órtese lombar previne (primariamente) a lombalgia ou lesões lombares em trabalhadores sem sintomatologia atual?”.
O PICO define como população o trabalhador adulto “sem sintomas atuais de lombalgia”, como intervenção a cinta, suporte ou órtese lombar utilizada no trabalho, como comparador as medidas habituais, nenhuma intervenção ou outra medida preventiva (educação, exercícios) e, como desfechos, sintomas de dor lombar, lesão lombar, função e ausência ou afastamento do trabalho.
O que as evidências analisadas indicam?
- “Nenhum dos ensaios clínicos incluiu apenas participantes sem história de lombalgia, e consequentemente, todos estudaram uma combinação de prevenção primária e secundária na dor lombar.”
- “Os ensaios clínicos selecionados apresentaram qualidade metodológica limitada em sua maioria” e, em todos, não houve possibilidade de cegamento de participantes ou avaliadores.
- “Nenhum estudo mensurou benefício na redução de absenteísmo estatisticamente significante ou em magnitude relevante.”
- Onde houve benefício, ele foi “marginalmente significante”, e mesmo estudos com resultados favoráveis parciais não se traduziram em “redução significante no absenteísmo”.
- “Quanto aos malefícios, os estudos mensuraram apenas relatos isolados de desconforto físico ou térmico. Não houve prejuízo de força muscular com o uso da cinta lombar.”
- “A adesão ao uso de cinta lombar foi heterogênea entre os ensaios clínicos variando de 43 a 92%”, com média de uso de apenas 5,5 dias por mês em um dos estudos.
Recomendação da Diretriz
A conclusão do documento é: “Apesar do benefício demonstrado fracamente em resultados individuais, parciais e isolados em poucos estudos, não há evidência consistente que sustente o uso de cinta lombar, suporte ou órtese lombar na prevenção primária da lombalgia ou lesões lombares ocupacionais em trabalhadores. As evidências em conjunto apontam para ausência de redução de absenteísmo com o uso da cinta lombar.”
O documento registra que essas conclusões “estão consistentes com outras revisões sistemáticas do tema e com o posicionamento científico institucional da National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH) e a Canadian Centre for Occupational Health and Safety (CCOHS)”.
Limitações e pontos de atenção
- A Diretriz ressalva “a difícil aplicação do conceito de prevenção primária nas evidências disponíveis devido a elevada frequência de inclusão nessas casuísticas de populações com e sem antecedentes ou histórico de dor lombar”.
- Os estudos sobre lombalgia “enfrentam o desafio de selecionar consistentemente a população de estudo”, o que dificulta avaliar o valor puramente preventivo da cinta lombar e generalizar resultados.
- A baixa adesão observada em alguns ensaios enfraqueceu o poder estatístico dos resultados.
Fonte original
Associação Nacional de Medicina do Trabalho — ANAMT. “Uso de cinta lombar, suporte ou órtese lombar — prevenção da lombalgia ocupacional”. Elaboração: 15 de outubro de 2018.
Este conteúdo possui finalidade educacional e apresenta, de forma resumida, um documento técnico publicado pela ANAMT. Não se trata de norma, lei ou obrigação legal. Consulte sempre o documento original para conhecer o conteúdo completo, as evidências, limitações e recomendações.
Perguntas frequentes
A cinta lombar é indicada para prevenir dor nas costas no trabalho?
Segundo esta Diretriz Técnica da ANAMT, não há evidência consistente que sustente o uso de cinta lombar, suporte ou órtese lombar na prevenção primária da lombalgia ou de lesões lombares ocupacionais, e as evidências em conjunto apontam ausência de redução de absenteísmo.
Fontes oficiais
Sempre consulte o texto oficial vigente antes de tomar decisões técnicas.
Associação Nacional de Medicina do Trabalho — ANAMT
Diretriz Técnica — Uso de cinta lombar, suporte ou órtese lombar: prevenção da lombalgia ocupacional (elaboração 15/10/2018)
Documento técnico completo, com metodologia, evidências e referências.
Acessar fonte oficial(link externo)Associação Nacional de Medicina do Trabalho — ANAMT
Página oficial de Diretrizes da ANAMT
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