Diretriz Técnica ANAMT
DT07 — Violência no trabalho: mapeamento epidemiológico e intervenção preventiva
Diretriz Técnica da ANAMT sobre medidas preventivas da violência ocupacional
Diretriz Técnica da ANAMT que avalia quais medidas preventivas produzem redução da violência no trabalho e propõe o mapeamento epidemiológico local como ponto de partida.
Em resumo
- O que é
- Diretriz Técnica da ANAMT sobre violência no trabalho, seu mapeamento epidemiológico e intervenções preventivas.
- Principal objetivo
- Responder à dúvida clínica: “Quais são as medidas preventivas que produzem redução da violência no trabalho?”.
- Prazo
- Elaboração: 01 de junho de 2019.
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Contexto
O documento afirma que a violência em ambiente de trabalho “potencialmente ocorre em prevalência importante, com associação de risco positiva para adoecimento físico e mental, absenteísmo, aumento de rotatividade, diminuição da produtividade e piora do clima organizacional”, e que sua expressão “é incrustrada no cotidiano profissional e heterogênea na cultura, atividade e organização de trabalho locais”.
A Diretriz adota a definição da OIT, segundo a qual violência ocupacional é “qualquer ação, incidente ou comportamento que se afaste da conduta razoável em que pessoa é agredida, ameaçada, prejudicada, ferida no curso de, ou como resultado direto seu trabalho”, e delimita seu escopo à violência “tipo 2 e 3” da classificação da OSHA. Registra também a definição de assédio moral do Ministério Público Federal.
Pergunta da Diretriz
A dúvida clínica foi: “Quais são as medidas preventivas que produzem redução da violência no trabalho?”. O PICO considera o trabalhador adulto com ou sem presença de violência atual, tendo como intervenção medidas preventivas, como comparador a situação sem ou após as medidas, e como desfecho a incidência de violência.
A revisão sistemática consultou MEDLINE, EMBASE e Cochrane CENTRAL, recuperando 16.680 trabalhos, dos quais 10 foram selecionados.
O que as evidências analisadas indicam?
- “A violência ocupacional é documentada em alta prevalência em diversos grupos de trabalhadores e ambientes profissionais: profissionais de cirurgia, enfermeiras, salas de emergência, bombeiros, policiais, professores.”
- Há associação positiva entre exposição a bullying ocupacional e sintomas de depressão, com “força moderada de evidência científica com odds ratio (OR) de 2.82 (95 % IC 2.21 - 3.59)”.
- Estudos também associaram bullying ocupacional a diabetes (HR 1,46; IC 95% 1,23–1,74) e a doença cardiovascular (HR 1,59; IC 95% 1,28–1,98).
- Apenas um estudo obteve redução significante da violência em relação ao controle; “os demais estudos selecionados não obtiveram diferença significante de redução dos eventos de violência em comparação com o grupo controle”.
- As revisões sistemáticas analisadas consideraram “o conjunto de evidências insuficiente em promover recomendações generalizáveis”.
Recomendação da Diretriz
A conclusão é que “a evidência disponível para sustentar o uso de medidas preventivas da violência no ambiente ocupacional é incerta e insuficiente, pois foi estudada por meio de evidência com força muito baixa e expressa de forma quase que exclusivamente qualitativa, não permitindo estimar seu real efeito na redução do risco de violência no trabalho”.
Assim, segundo o documento, “não há no momento intervenções disponíveis que possam ser recomendadas de forma generalizada para reduzir esse risco ou mesmo o número de eventos”.
A própria Diretriz ressalta: “Essa conclusão não se traduz em inação por parte da empresa e do médico do trabalho diante do evento de violência e sim em ausência de certeza científica acerca da efetividade das ações testadas pelos estudos primários na redução da prevalência do evento.”
Na prática
Em vez de intervenções padronizadas, o documento propõe “o desenho de programas piloto desenhados em conjunto com diversos setores da empresa e embasados em dados epidemiológicos locais, considerando a possibilidade de benefícios secundários além da redução da prevalência dos eventos de violência”.
- Mapeamento populacional organizado e padronizado dos eventos de violência.
- Construção de consenso, entre diversos atores da empresa e com base nas evidências epidemiológicas locais, sobre o conceito e a importância da violência ocupacional e da civilidade.
- Mensuração da efetividade, do custo e da dificuldade de implementação do programa piloto.
- Vinculação adequada com ações envolvendo justiça organizacional e estatal.
- Ampliação, redução ou readequação do programa piloto conforme sua efetividade.
Limitações e pontos de atenção
- A evidência coletada “foi considerada insuficiente para a elaboração de uma recomendação generalizável”.
- “Não há intervenções ou exposições padronizadas e sistematicamente testadas, que possam ser extrapoladas sequer para grupos de trabalhadores específicos.”
- “O estudo de fatores de risco organizacionais e a generalização dos achados é um desafio científico”, dada a heterogeneidade organizacional e cultural das empresas.
Fonte original
Associação Nacional de Medicina do Trabalho — ANAMT. “Violência no trabalho: mapeamento epidemiológico e intervenção preventiva”. Elaboração: 01 de junho de 2019.
Este conteúdo possui finalidade educacional e apresenta, de forma resumida, um documento técnico publicado pela ANAMT. Não se trata de norma, lei ou obrigação legal. Consulte sempre o documento original para conhecer o conteúdo completo, as evidências, limitações e recomendações.
Perguntas frequentes
Existe um programa de prevenção da violência no trabalho recomendado pela ANAMT?
Segundo esta Diretriz, não há intervenções que possam ser recomendadas de forma generalizada, pois a evidência disponível é considerada incerta e insuficiente. O documento propõe partir do mapeamento epidemiológico local e de programas piloto avaliados quanto à efetividade.
Fontes oficiais
Sempre consulte o texto oficial vigente antes de tomar decisões técnicas.
Associação Nacional de Medicina do Trabalho — ANAMT
Diretriz Técnica — Violência no trabalho: mapeamento epidemiológico e intervenção preventiva (elaboração 01/06/2019)
Documento técnico completo, com metodologia, evidências e referências.
Acessar fonte oficial(link externo)Associação Nacional de Medicina do Trabalho — ANAMT
Página oficial de Diretrizes da ANAMT
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